Alamanaqueiras: ou não queiras.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

só sei que é exatamente assim...

  
Wilson Gomes

Não sei quantos estavam prestando atenção nisso, mas, para mim, o fato político mais importante de 2016 é o deslocamento do centro do poder político brasileiro para o Congresso Nacional. Dois atores são muito importantes para este movimento, que vem de 2015 pelo menos: Dilma Rousseff e Eduardo Cunha. Dilma, por ser uma presidente politicamente muito fraca e uma líder inconsistente, e até pelas suas hesitações morais. Cunha, ao contrário, aliou enorme capacidade de liderança política à mais descarada canalhice.

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Dilma e Cunha, cada um a seu modo, trabalharam para drenar o poder político da presidência, transferindo-o inteirinho para a Câmara e o Senado, nas mãos da famigerada 55ª Legislatura.

O Judiciário, que poderia pôr algum freio ao acontecido com Dilma Rousseff, preferiu ficar regulando rito e fiscalizando a cerimônia, como se da Constituição a única implicada no impeachment fosse a correção litúrgica. Na briga de trânsito, o STF resolveu que o melhor que podia fazer era controlar o tráfego. De vez em quando, um ou outro juiz ou a própria corte põe a cabecinha pra fora, basicamente para dizer que "está lá" e que o Legislativo nem pense que vai fazer com Judiciário o que fez com o Executivo federal. Não ruge para dar contenção, mas para não ser excessivamente contido. De vez em quando nem ruge, mia.

E Temer? Temer é o presidente do Legislativo. Depois que o Legislativo experimentou a delícia de pulverizar o Governo Dilma, não iria devolver as condições para um exercício autônomo da presidência a Temer. Este parece estar no comando, mas, na verdade, é só um preposto da 55ª Legislatura na cadeira presidencial. Inclusive porque Temer está e sempre esteve por um fio - basta uma decisão do Judiciário ou a perda do apoio no Congresso e ele volta para a decoração da política brasiliense. Temer terá o que a 55ª lhe deixar ter, e nada mais. A 55ª tem legitimidade própria, dada pelo voto popular, e permanecerá até 2018. Não há garantias sobre Temer nem em 2017.

Começaremos 2017 com o Congresso mais empoderado da história do Brasil. Embora também o mais desprezado e, talvez, o mais desprezível, saturado de suspeitos, acusados e réus. E com os apetites à toda. Impressionados com o cenário? Não se preocupem, tudo indica que só há uma coisa mais assustadora que a 55ª Legislatura: a 56ª, que a gente ainda vai eleger. Claro, ninguém se importa em quem vota para deputado ou senador, não é mesmo? Nem mesmo notamos em quem votamos para vice. O pêndulo do poder se deslocou para o Congresso, mas aposto uma deliciosa cerveja sem álcool que o foco do nosso voto continuará inteirinho na presidência. Não sei a razão, só sei que é assim. Boa tarde.

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