Alamanaqueiras: ou não queiras.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O que espanta miséria é festa

   
Luiz Antonio Simas

Pequena impressão de fim de ano. Corriqueiramente falando (é o que sei fazer; vivo de coisas corriqueiras, distante de cenas espetaculares), saio de 2016 com a impressão de que as potências da vida continuam se estabelecendo nas miudezas que bordam a sobrevivência cotidiana. O Brasil institucional casou-se com o beleléu, foi ferido de morte, a intolerância campeia (como sempre, e não “como nunca antes”), o preconceito grassa, o mundo guerreia, os homens se matam e fazem questão de nos lembrar de que, entre anjos caídos e diabos em ascensão, não há o que nos redima inapelavelmente ou nos condene de vez. Mas sou, como disse acima, de coisas corriqueiras. As potências estão aí, com questões colocadas e feridas expostas. 

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O cotidiano continua sendo constantemente reinventado nas brechas onde as mulheres e homens comuns dão o nó no rabo da caninana, choram, gargalham, nascem, morrem, celebraram, balançam os corpos, seguram a onda batendo na palma da mão, molham a garganta com gorós diversos e remam na terceira margem do rio: entre a vida plena e a morte certa, há quem ouse sobreviver e fazer disso a matéria-prima para construir outros mundos: mínimos, frágeis, momentaneamente alegres, ocasionalmente sublimes e desafiadores.

É a vida, essa insistente, que segue girando na canjira.

PS: E meteoro é o cacete. O que espanta miséria é festa, como já ensinou o filósofo contemporâneo Laudemir Casemiro nas bleuras do Rato Molhado.

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