Alamanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

o republicanismo é a ideologia comum que leva a esquerda, mesmo quando avança pelo caminho de mudanças moderadas, a ser destroçada pela reação burguesa sem dó nem piedade.


Breno Altman

PROBLEMA DE FUNDO
A crise da esquerda deve ser vista com um longo processo histórico, cujo ponto de ruptura foi o colapso da União Soviética, há 25 anos.Desde então, houve progressiva transformação ideológica em muitos partidos, incluindo o PT, da matriz socialista para outra republicana.

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Essa nova matriz veio constituindo a lógica pela qual a esquerda apostava sua sobrevivência na renúncia ao antagonismo contra o sistema capitalista e a qualquer projeto de ruptura, por dentro ou por fora das instituições, com a ordem democrático-liberal vitoriosa no findar da Guerra Fria.

As forças de esquerda que embarcaram nessa onda continuaram a empunhar bandeiras favoráveis à classe trabalhadora, mas a partir de mudanças e melhorias cujo limite estava pré-determinado pelo respeito a um Estado supostamente neutro (ou republicano) e às regras fundamentais da acumulação de capitais.

Essa guinada não tem a ver com tática e estratégia, com cálculo da correlação de forças, mas com a própria abdicação do sentido de classe determinado pelo socialismo como destino histórico e organizador cultural.

Essa lógica, no fundamental, representa a crença que, domesticada e normalizada, sob contrato de aceitação dos pilares da hegemonia burguesa, a esquerda poderia voltar a ter protagonismo.

Essa cultura política passou a ser dominante na esquerda brasileira, ao menos em seus três maiores partidos: o PT, o PCdoB e o PSOL.

As variáveis são táticas e até parecem relevantes em alguns momentos, mas o republicanismo é a ideologia comum que leva a esquerda, mesmo quando avança pelo caminho de mudanças moderadas, a ser destroçada pela reação burguesa sem dó nem piedade.

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