Alamanaqueiras: ou não queiras.

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sábado, 22 de outubro de 2016

Eu não vou compartilhar capa da Veja, não vou comprar a revista pra saber das aventuras do bispo


 Luiz Antonio Simas

Eu não vou compartilhar capa da Veja, não vou comprar a revista pra saber das aventuras do bispo e não vou condenar quem faça isso. Patrulha virtual não é a minha praia.Dito isso, registro que ontem foi dia do lançamento do vídeo do povo de santo e do encontro da turma do carnaval com Freixo. Participei do vídeo e do encontro ativamente: macumba e samba são, afinal, duas referências na minha vida.



Deixa eu repetir uma coisa: essa campanha eleitoral não é corriqueira para mim. Sou do santo, corro gira, tenho responsabilidade com a memória da minha avó e com o futuro do meu filho. Minha percepção do enfrentamento com certo neopentecostalismo do ódio, representado pela candidatura do bispo Crivella, certamente não é a mesma dos que não saíram do barro que me moldou e não beberam da água que sempre matou a minha sede.

Não tenho esperança messiânica em um candidato. O papo é outro. Não é por aí. Não sou, como uma turma acha, filiado ao PSOL, iluminista demais para minha percepção macumbada do mundo. Meu partido de filiação é só o partido alto mesmo. Eu não tenho exatamente uma cidade a defender e muito menos um projeto político definido a abraçar. 

O que eu tenho para me levar ao mergulho na campanha é o seguinte:

- minha coleção de vinis dos sambas de enredo do carnaval carioca
- a memória da Vila Isabel cantando Quizomba em 1988
- uma cimitarra consagrada 
- uma cortina de mariô
- nove quartinhas velhas com água fresca 
- uma pena vermelha de ekodidé enrolada num morim branco 
- quarenta caroços de dendê
- meus assentamentos 
- meus fios de contas,meus filás e abadá 
- dois retratos da minha iniciação no xambá de Deda 
- búzios de praia africana, conchas do mar e a memória dos meus avós.

É o suficiente para que eu saiba como me posicionar. 
Para concluir o ótimo dia de ontem, recebi a notícia de que o Samba de Enredo: História e Arte, livro que escrevi em parceria com Nei Lopes, é finalista do Prêmio Jabuti/2016.
No mais, relevem se alguma letra saiu trocada neste texto. Max, o cachorrinho do meu filho, tentou comer meus óculos caros pra chuchu e conseguiu destruí-los. Faz parte.

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