DOPASMINA: Coletivos feministas repudiam termo escolhido por turma de medicina da UFPB
A escolha do nome do time da turma 99 do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foi motivo de uma nota de repúdio por parte de vários coletivos feministas do Estado e repercutiu nas redes sociais nesta quarta-feira (17). O time intitulado 'dopasmina' foi repudiado por promover a violência de gênero e apologia ao estupro.
Confira a nota na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO AO TERMO "DOPASMINA" ESCOLHIDO PELA TURMA 99 DO CURSO DE MEDICINA DA UFPB COMO SEU NOME DE TIME
Coletivo Nise da Silveira
O Coletivo Feminista Nise da Silveira (Medicina/UFPB) repudia, por meio desta, a escolha do termo "Dopasmina" como nome do time da turma 99 do curso de medicina da UFPB e, principalmente, as atitudes que os alunos tomaram no dia 16/08/2016 ao defender seu direito de escolha, não levando em consideração a quantidade de colegas ofendidas e desrespeitadas pelo termo escolhido e insistindo em utilizá-lo de forma ameaçadora. Além disso, repudiamos o trato da turma e de outros alunos presentes com o professor Luciano Bezerra Gomes (DPS/CCM-UFPB) que, ao se posicionar publicamente contra o termo e chamar atenção para o fato de que, mesmo toda a turma estando reunida para assistir uma partida de futebol feminino e ovacionando as jogadoras, não tinham respeito com as mulheres e promoviam a violência de gênero e apologia ao estupro, foi vaiado e impedido de continuar sua fala, atrapalhado por gritos e palmas.
O trocadilho dopasmina é um termo bastante utilizado pelos estudantes de medicina de todo o país ao nomear festas e eventos, onde ocorrem diversas tentativas e abusos sexuais às mulheres, a maioria realizada por futuros médicos e acobertada pela própria universidade e centros acadêmicos. É notável a falta de empatia da turma com diversas vítimas e também com as colegas que, mais uma vez, se encontram a mercê do machismo e da cultura do estupro, tendo que vivenciar atitudes como essa e serem vítimas de gaslighting e opressão de gênero fortíssima, que aparenta imperar dentro do curso médico. Além disso, atitudes de apologia ao estupro mancham o nome do curso e da Universidade a que a turma está vinculada, prejudicando diversos alunos de ambos os sexos e professores.
É importante ressaltar que, de acordo com o Artigo 287 do Código Penal (Decreto Lei 2848/40), é crime fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime, sob pena 3 a 6 meses de detenção. Não conseguimos achar outro motivo para a realização de tal apologia a não ser a ignorância, a conformidade e a aceitação da cultura do estupro e do machismo dentro da nossa sociedade, algo que buscamos quebrar e conscientizar acerca da necessidade da equidade de gênero.
Modificamos os cartazes expostos com o termo para "Respeitasmina" e "Juntasmina", representando a necessidade de respeito e união dentro da sociedade e principalmente dentro do curso médico para que novas atitudes machistas e opressoras não se reproduzam ou se reinventem, destacando que não nos calaremos sob coerção ou ameaça e que estamos abertas para diálogo. Sabemos que as atitudes citadas nessa nota não contam com a anuência de todos os integrantes da turma 99.
Assinam:
- Coletivo Feminista Nise da Silveira (UFPB)
- Coletivo Feminista Geni (FMUSP)
- Liga Acadêmica de Medicina da Família e Comunidade da Paraíba
- Coletivo Contra Opressão (FPS)
- Direção Executiva dos Estudantes de Medicina (DENEM)
- Coletivo Cuidar é Lutar (UFPB)
- Coletivo de Mulheres da DENEM
- Coletivo de Mulheres da NE-2
- Projeto Partejar (UFPB)
- Coletivo pela Humanização do Parto e do Nascimento na Paraíba
- Coletivo de Mulheres da UFT
- Centro Acadêmico Rocha Lima (MEDICINA USP-RP)
- Centro Acadêmico de Fisioterapia - UFPB (Gestão "O Novo Sempre Vem")
- Centro Acadêmico de Psicologia - UFPB
- Frente Feminista da UFPB
- CAUS/UFPE
- Coletivo de Mulheres da Medicina UERJ
- Coletivo de Medicina Estacio
- COFEM FMP/FASE
- Coletivo de Mulheres UFJF
- Centro Acadêmico de Terapia Ocupacional - UFPB
- Projeto Saúde, Direito e Diversidade UFPB
- CAMUP - UPE/Garanhuns
- Frente Paraibana Antimanicomial
- Centro Acadêmico de Educação Física - UFPB
- Levante Popular da Juventude
- Movimento Zoada - UFPE
- DADSF - Diretório Acadêmico de Direito da UFPE
- NESC - Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva
- Rede de Mulheres em Articulação da Paraiba
- Frente Paraibana Drogas e Direitos Humanos
- Grupo de Estudos Saúde Mental e Direitos Humanos UFPB
- Diretório Acadêmico de Fisioterapia - UFPE
- Coletivo Alvorada 196
- Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares
- Centro de Referência em Direitos Humanos UFPB
- Centro Acadêmico Livre de Farmácia (CALFARM - UFPB)
- Rede As Mulheres Ocupam Tudo

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