PINDORAMA

Parajás,
Negai licença aos fazendeiros
Mantei crescendo jacarandás
Torrai o ouro dos Garimpeiros
Fartai de suco taperebás
Travai as armas dos pistoleiros
Honrai os povos tupinambás
Chandoré,
Cobrí de terra escavadeiras
Enchei nascentes e igarapés
Enferrujai empilhadeiras
trazei aos rios tucunarés
cegai machados das madeireiras
tenhais em ti Pankararés
Guaraci,
Desmantelai poluidoras
Graçai a mata de guaxinins
Arregaçai desmatadoras
Enchei as tribos de curumins
Desmerecei mineradoras
Trazei à luz Tupinikins
Jamecó,
Turvai o sangue das cruas guerras
Com ferroadas de sanharós
Mandai de volta às outras terras
Quem não nadou no tapajós
quebrai os dentes das motoserras
desocultai Kaparipós
Ñande Ru,
Tirai as terras dos invasores
E devolvei aos matipus
Queimai os barcos e seus motores
Soltai o canto dos guaicurus
Pesai nos ombros dos matadores
Verdadeirai Pankararus
Pindorama,
Bem antes das grandes navegações
Bem antes dos tiros de teus fuzis
Das tramas, das lutas, das invasões
Viviam indios neste país
formando um povo de mil nações
Falando a língua dos Guaranís
Bosco Maciel (Poeta, Folclorista, Cantador, Fundador da Casa dos Cordéis, e Membro efetivo da 'AGL - Academia Guarulhense de Letras')
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