Almanaqueiras: ou não queiras.

Almanaqueiras: ou não queiras.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A veia poética de Bosco Maciel

PINDORAMA



Parajás, 
Negai licença aos fazendeiros 
Mantei crescendo jacarandás 
Torrai o ouro dos Garimpeiros
Fartai de suco taperebás 
Travai as armas dos pistoleiros 
Honrai os povos tupinambás
Chandoré,
Cobrí de terra escavadeiras
Enchei nascentes e igarapés 
Enferrujai empilhadeiras
trazei aos rios tucunarés 
cegai machados das madeireiras 
tenhais em ti Pankararés
Guaraci, 
Desmantelai poluidoras 
Graçai a mata de guaxinins 
Arregaçai desmatadoras
Enchei as tribos de curumins 
Desmerecei mineradoras 
Trazei à luz Tupinikins
Jamecó, 
Turvai o sangue das cruas guerras 
Com ferroadas de sanharós 
Mandai de volta às outras terras 
Quem não nadou no tapajós 
quebrai os dentes das motoserras
desocultai Kaparipós
Ñande Ru, 
Tirai as terras dos invasores
E devolvei aos matipus 
Queimai os barcos e seus motores
Soltai o canto dos guaicurus 
Pesai nos ombros dos matadores
Verdadeirai Pankararus
Pindorama, 
Bem antes das grandes navegações
Bem antes dos tiros de teus fuzis 
Das tramas, das lutas, das invasões
Viviam indios neste país
formando um povo de mil nações
Falando a língua dos Guaranís

Bosco Maciel (Poeta, Folclorista, Cantador, Fundador da Casa dos Cordéis, e Membro efetivo da 'AGL - Academia Guarulhense de Letras')

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