DONA LICA

O campinho de futebol do Grupo Escolar Dom Moisés Coelho, em Cajazeiras, era local de encontro da garotada da Praça do Espinho e ruas adjacências (Padre José Tomaz, Pedro Américo, Justino Bezerra, Dr. Coelho), para jogar pelada (jogo) com bola de borracha ou de meia. Quem nunca jogou com bola de meia? Essa pelada era de segunda a segunda-feira. Tinha também algumas briguinhas entre os peladeiros, devido uma pancada na canela, ou mesmo um empurrãozinho na disputa pela bola. Alguns jogavam bola, calçados com tênis da marca Sete Vidas, Kichute, outros descalço, sem camisa e de calção, de tecido cáqui. Depois da pelada, a garotada ia se sentar nos bancos da Praça do Espinho para bater papo sobre os lances que ocorreram no jogo.

Professora Nazaré Lopes
A professora dona Nazaré Lopes, morava em frente a esta praça. Alguns deles, com sede, doido para beber água, se dirigiam para ir pedir água na casa de dona Nazaré. A porta da casa dela sempre estava aberta e ao chegar lá, a gente entrava sem pedir licença e pedia água a dona Lica, mãe de dona Nazaré. Ela, com aquela paciência de sempre, falava: “meu filho, entre e vá lá dentro pegar água no pote”. Chegando ao pote, a gente pegava a caneca de alumínio, bem ariada, colocava dentro do pote e ouvia “tibungo, tibungo”, era o sinal de que o copo já estava cheio de água bem friinha. A casa era vazada, com frente para a Praça do Espinho e os fundos era saída para a Rua Justino Bezerra.
MOEDA PERDIDA
Toin (de barba) até hoje sonha com a moeda
Achar moeda ou cédula de dinheiro, é um muito difícil. Tem pessoas que talvez nunca achou nenhum centavo. Desde garoto, eu já achei moedas e cédulas de vários valores no meio da rua. Já achei mais do que perdi. Aliás, mesmo em sorteios das loterias da Caixa Econômica Federal, eu já fui contemplado com pequenos valores nas diversas modalidades. Tudo isso me faz lembrar de Toinho meu irmão.

Pça. do Espinho
Quando morávamos na Rua Pedro Américo, naquela época, nossa rua era totalmente calçada de paralelepípedos. Certo dia, minha mãe chamou a gente para almoçar. Todos nós (eu e meus irmãos) estávamos brincando na rua e, aos poucos, fomos chegando em casa e se acomodando na mesa para o almoço. Mamãe estava, ora na cozinha, ora na sala de jantar, colocando o rango e Toinho não chegava. Mamãe ficou a perguntar por ele e nós falamos que Toinho estava procurando uma moeda, que ele tinha perdido na rua, próximo a casa de seu Sinval do Vale. Ele procurava uma moeda de um cruzado (hoje, moeda de um Real), que ficou encravada entre os paralelepípedos. Ou seja, até hoje ele não encontrou a tal moeda e quase não encontrou mais arroz, feijão, farinha e ovo. “Nesse dia, ele não dormiu direito pensando na tal moeda e talvez tenha sonhado que tenha achado”.
Radialista
Rádio Nacional de Brasília
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