Almanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

“Mulheres traem tanto quanto os homens”, diz Contardo Calligaris

Fidelidade, só aos próprios desejos. Assim defende o psicanalista e escritor italiano nesta entrevista ao iG. Para ele, ao contrário do que se pensa, os homens são traídos tanto quanto traem, mas dizem “eu te amo” mais facilmente

Ana Ribeiro e Rodrigo de Almeida | iG São Paulo 



O escritor e psicanalista italiano Contardo Calligaris em seu consultório em São Paulo
O psicanalista, psicoterapeuta e escritor italiano Contardo Calligaris recebeu o iG em seu consultório, no 18º andar de um prédio no Jardins, em São Paulo, e falou sobre amor, casamento, desejo, fidelidade, homens e mulheres. Ele acaba de lançar o livro “Todos os reis estão nus” (editora Três Estrelas), reunião de artigos publicados nos últimos anos, organizado por Rafael Coriello.


“A poltrona vermelha teoricamente é a minha”, diz ele, ao nos apontar as alternativas: uma poltrona de couro marrom e um divã de veludo também marrom. É nesta sala cercada de livros – alguns ele mesmo escreveu – que o psicanalista ouve as inquietações de 60 a 70 pessoas por semana. Multiplique-se isso aos quase 40 anos de clínica que ele tem na conta – começou a atender pacientes em Paris, em 1975 – e imagine a experiência adquirida em comportamento humano.

Experiência combinada com sensibilidade aguçada que o psicanalista e escritor leva tanto para o consultório quanto para os artigos. Em ambos, busca entender a psicologia dos indivíduos, das relações amorosas, do comportamento de homens e mulheres de todas as idades. Mulheres com um plural mais acentuado do que os homens, já que ele aponta a inexistência da “mulher universal”. Diz: “Mulheres formam um conjunto muito menos que os homens. As mulheres são muitas singularidades”.

É do alto de muita observação que ele revela: homens são casamenteiros, dizem facilmente “eu te amo” e até se excedem. “São sentimentalmente over”, acusa. Mulheres, ao contrário do que se imagina, traem tanto quando eles.

Numa coisa eles empatam: homens e mulheres falam na mesma medida no divã. “Apesar dos sotaques diferentes, os temas são mais ou menos os mesmos. De um lado, amor e sexo. De outro, o trabalho e os sonhos de afirmação e reconhecimento social.”

“A única traição inaceitável é a traição de si mesmo. Imaginar que minha parceira se trairia por fidelidade a mim é a última coisa que desejo para nós."
Em detrimento de tantas experiências, o psicanalista tem suas próprias convicções. Defende que é importante ser fiel, mas aos seus próprios desejos. “Imaginar que minha parceira se trairia por fidelidade a mim é a última coisa que desejo para nós. O que me faz amá-la é vê-la fiel a si mesmo, não a mim.” E garante que é legítimo terminar um casamento com uma mensagem de texto pelo celular. “Prefiro terminar um casamento por SMS do que ter uma conversa sobre isso. Detesto discutir a relação." (...)

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