Não, não é o recorte de classe nem o perfil racial o que desmoraliza as manifestações de 15 de março. Tampouco a desmoraliza o fato de a maioria dos manifestantes ter votado contra Dilma Rousseff e/ou já estar, antes da eleição passada, posicionada ideologicamente contra o PT.
Prof. Wilson Gomes
O que desmoraliza gravemente os novos protestos sociais são os "intervencionistas", como eles se denominam, os que desejam um novo ciclo de governo militar para "restaurar a moralidade e a honra". Esses aí não estão protestando por causa dos efeitos da crise econômica, nem contra o déficit nas contas públicas, nem contra o gasto social das políticas assistencialistas, nem mesmo contra o comportamento patrimonialista do PT e seus aliados na condução da coisa pública.
Esses aí simplesmente querem transformar o descontentamento social numa janela de oportunidade para o que o sempre desejaram, desde os anos 1960: que o Brasil seja governado por uma autocracia militar. Para essa gente, não existem fatos políticos e a democracia é uma palavra vazia: tudo é um fato moral e só baionetas e coturnos podem reinstaurar o domínio do bem contra o mal, da civilização contra o comunismo. São dogmáticos, são extremamente autoritários, são burros, são perigosos.
Não são uma novidade no cenário: em junho de 2013 eles já estavam lá, com seus cartazes de cartolinas pedindo "socorro, forças armadas". Em 2014 tentaram de novo com a patética Marcha da Família no 31 de março da Vergonha Nacional. No início de 2015 testaram novamente a sua força nos Protestos de Lobão (com quem entraram em conflito). Agora, novamente, com o espraiamento de um novo surto de imbecilidade política, se colocam como um dos "drives" dos novos protestos sociais. Na minha hipótese, eles serão para as mobilizações de 2015 o que os black blocs foram para as passeatas de 2013 - vão destruir por dentro os novos movimentos. Vamos ver onde vai dar.
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