Almanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ganha uma cocada quem adivinhar o nome do "artista cajazeirense" que trabalhava com fotopintura. Um, dois, três, meia e... já!

Interior profundo


Caricato? Cafona? Forçado? Não…


Muito comum no início do século XX, o recurso da fotopintura era largamente utilizado para tornar mais “real” os retratos em preto e branco que povoaram os álbuns de família da época.


Ali, imperfeições eram corrigidas e roupas inventadas na intenção de eternizar entes já falecidos, em que muitas vezes a única recordação que restava era uma fotografia.



Dentre os muitos artistas da fotopintura, o cearense Mestre Júlio Santos se destacou e foi além da técnica tradicional. Com o surgimento da fotografia digital, adotou o computador, o Photoshop, onde as tintas são virtuais, mas a essência da fotopintura permance inalterada.



O trabalho de Mestre Júlio ganhou recentemente a exposição “Interior Pronfundo”.



Junto com as restaurações de antigas fotopinturas, o artista criou também uma série de retratos de grandes fotógrafos brasileiros: Cristiano Mascaro, Claudia Andujar, Nair Benedicto, Thomas Farkas e Carlos Moreira, entre outros, receberam suas versões em fotopintura.







A exposição, que esteve de agosto a outubro deste ano na Pinacoteca, está em cartaz no Centro de Fotografía de Montevideo, no Uruguai, onde segue até fevereiro de 2013.


Diógenes Moura, que junto a Rosely Nakagawa é um dos curadores de “Interior Profundo”, escreveu sobre Mestre Júlio e sua obra para o Entretempos, que você confere a seguir.



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“A fotopintura está relacionada com os signos do tempo.



De um lado a espera, o passado. Do outro lado, o futuro.



Mestre Júlio Santos trabalha para o futuro, faz questão de deixar claro.



Trata a fotografia com a densidade que o tempo exige. 

É desesperado pela fotopintura.


Só retira do cavalete/computador uma fotografia quando tem certeza absoluta que o cliente ficará mais satisfeito que ele.



Ali, entre o santuário e o espelho. Se não gosta, elimina e faz outra.



É capaz de enviar duas cópias para o mesmo retratado. É incapaz de descartar um rosto, um olhar, um gesto.



Mas o que o artista faz com todos esses personagens que passam, param e tomam seus rumos diante dos seus olhos, naquele pequeno estúdio montado em uma sala de sua casa em Fortaleza, no Ceará?



‘É uma procissão imensa que vou arrastando junto comigo’”.



- Diógenes Moura é escritor e curador de fotografia da Pinacoteca



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Interior Profundo

Fotopinturas de Mestre Júlio Santos


Galeria do Centro de Fotografia de Montevidéo

De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados de 9h30 às 14h30
Calle San José, 1360 – Tel.             + (598 2) 19501219      
cdf@imm.gub.uy




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