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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

"Em ata, no ato. Propina em ata é inédito."

Empreiteiras registraram em ata propina paga a Aécio Neves, diz delator

Valor refere-se à construção da Cidade Administrativa
Aécio ficou em silêncio em depoimento sobre o caso



LUIZ FELIPE BARBIÉRI - Poder 360
O ex-superintendente da Odebrecht em Minas Gerais Sérgio Luiz Neves afirmou em depoimento à Polícia Federal que em reunião do consórcio responsável pela construção da Cidade Administrativa –sede do governo de Minas Gerais– os executivos registraram em ata de forma cifrada o valor que seria destinado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) a título de propina. A reunião foi realizada em 16 de abril de 2008.

“Explicando a informação, “29” se refere ao valor aproximado total que seria pago como propina a Aécio via Oswaldo, equivalente a 3% sobre o valor total dos três lotes somados do empreendimento. Neste item também é definido que a operacionalização do compromisso de pagamento mensal fosse revezado entre as consorciadas, ficando então um compromisso trimestral de cada consorciada (já tendo a Odebrecht realizado o primeiro pagamento)”, disse Sérgio Luiz Neves.

Aécio nega irregularidades. Afirma que a construção da Cidade Administrativa se deu dentro da mais absoluta legalidade, tendo sido acompanhada pelo Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado. Leia nota ao final desta reportagem.

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O senador tucano também compareceu ao edifício sede da Polícia Federal em Brasília para prestar depoimento no inquérito em 22 de junho. Ficou em silêncio por orientação da defesa, que alegou não ter tido acesso aos depoimentos dos colaboradores até aquela data.

A citação a ‘Oswaldo’ é uma referência ao ex-presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) Oswaldo Borges, apontado pelos delatores como intermediário nos pagamentos de propina ao congressista. Ele também prestou depoimento à PF. Negou envolvimento no caso.

O termo do depoimento de Sérgio Luiz Neves foi anexado ao inquérito que investiga o tucano por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude a licitação e cartel. O documento tornou-se público na 3ª feira (2.ago.2017). O executivo falou à PF em 27 de junho.

Prestaram ainda novos depoimentos no âmbito das investigações Benedicto Barbosa da Silva Junior e Hilberto Mascarenhas, ex-diretores do setor de Operações Estruturadas da empreiteira, responsável pelos pagamentos não contabilizados a autoridades. Eles reforçaram os relatos sobre irregularidades nas obras.

Aécio é investigado por supostamente organizar esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de 1 cartel de empreiteiras na construção da Cidade Administrativa. Ele teria recebido propina de 3% sobre o valor total da obra, de acordo com os delatores. O senador nega participação nas irregularidades.

ÍNTEGRAS
As íntegras foram anexadas ao inquérito que investiga o tucano por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude a licitação e cartel. Leia o que disseram os depoentes:

Benedicto Barbosa da Silva Junior: ex-diretor do setor de operações estruturadas da Odebrecht;
Hilberto Mascarenhas: ex-diretor do setor de operações estruturadas da Odebrecht;
Sergio Luiz Neves: ex-superintendente da Odebrecht em Minas Gerais.
Oswaldo Borges : ex-presidente da Codemig
Outro lado

Em nota, a defesa do senador Aécio Neves afirmou que a construção da Cidade Administrativa se deu dentro da mais absoluta legalidade, tendo sido acompanhada pelo Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.

“Eventual cartelização entre as empresas que participaram das obras, se ocorreu, foi sem a participação e o conhecimento do Governo de Estado. Prova cristalina disso é justamente a citada ata de reunião das empreiteiras, da qual não consta nem menção e nem participação de qualquer membro do Governo. Além das inúmeras contradições nos depoimentos do delator Sérgio Neves, que serão cabalmente demonstrados à Justiça, vale ressaltar também que este depoimento e o de outro delator, o senhor Benedito Júnior, são contraditórios entre si. Por fim, todas as doações feitas por essas e outras empresas para as campanhas do PSDB encontram-se devidamente registradas no TRE e TSE”, afirmou o advogado do congressista, Alberto Zacharias Toron.

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