Alamanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A maior parte das articulações coube a Imbassahy. O ministro agiu para resolver, dentro do plenário, uma disputa por cargos federais na Paraíba envolvendo parlamentares que ameaçavam votar contra o presidente.

Balcão de negócios com recurso público garante vitória governista

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O governo abriu um balcão de negociação de cargos e emendas dentro do plenário da Câmara em troca de votos para salvar Michel Temer durante a votação da denúncia contra o presidente nesta quarta-feira (2).

Durante toda a sessão, ministros e líderes governistas mobilizaram a máquina federal para atender deputados que se comprometessem a rejeitar a acusação.

Em poucas horas, o Palácio do Planalto calculava reservadamente que havia conseguido conquistar os votos de mais de 20 "indecisos" ao atender suas demandas.

A operação foi ordenada por Temer e comandada pelo ministro tucano Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), cuja pasta é a responsável pela distribuição de cargos e emendas para a base aliada. Ele foi um dos dez ministros que reassumiram seus mandatos na Câmara para votar a favor do presidente e obter votos no plenário.

Enquanto deputados discursavam e batiam boca nas tribunas, Imbassahy e outros ministros "despachavam" com os parlamentares nas cadeiras e nos fundos do plenário da Câmara, destravando nomeações e a liberação de verbas públicas. A Folha presenciou diversas negociações ao longo de todo o dia.

No final da manhã, Imbassahy e o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais defensores de Temer, passavam em revista uma planilha que listava as emendas que o governo já havia liberado para cada parlamentar.

O objetivo, segundo a reportagem apurou, era cobrar fidelidade dos deputados contemplados com dinheiro público que evitavam se comprometer em apoiar Temer.

O presidente também escalou ao menos três ministros que não reassumiram mandatos para despachar em tempo real com parlamentares que reclamavam de demandas não atendidas pelo governo.

Blairo Maggi (Agricultura), Helder Barbalho (Integração Nacional) e Ricardo Barros (Saúde) foram ao plenário com assessores de seus ministérios e passaram horas atendendo aos pedidos de deputados insatisfeitos.

As negociações eram tão explícitas que até deputados da oposição aproveitaram para fazer pedidos aos ministros de Temer. Na hora do almoço, o petista Zé Geraldo (PA) procurou Blairo para cobrar verbas para uma obra em seu Estado.

Alguns chegaram a entregar aos ministros seus pleitos por escrito.

A maior parte das articulações coube a Imbassahy. O ministro agiu para resolver, dentro do plenário, uma disputa por cargos federais na Paraíba envolvendo parlamentares que ameaçavam votar contra o presidente.

Ele transferiu a tarefa ao líder do DEM, Efraim Filho (PB). "Você arbitra essa questão. O que você decidir está resolvido", disse Imbassahy ao parlamentar paraibano.

O deputado Carlos Gaguim (Podemos-TO) chegou a fazer da tribuna da Câmara uma série de pedidos de liberação de emendas ao governo. "Peço e conclamo aos ministros que aqui estão que liberem as emendas, não só para o Tocantins, mas para todo o Brasil, independentemente de questão política", declarou.

A oposição criticou a atuação dos ministros de Temer durante a sessão.

"O governo está com um balcão de negócios. Isso é que um escândalo", disse Henrique Fontana (PT-RS).

Para dar segurança aos deputados em relação às promessas feitas em plenário, líderes do governo chegaram a acionar o próprio Temer.

Um deputado pediu a Darcisio Perondi (PMDB-RS) para conversar com o presidente por telefone antes de garantir seu voto contra o prosseguimento da denúncia.

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