Alamanaqueiras: ou não queiras.

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quarta-feira, 1 de março de 2017

são tantas coisinhas miúdas...

'Faço parte do bloco fora, Temer; para mim, só Lula lá', diz Beth Carvalho 

Mônica Bergamo

Beth Carvalho


Sossegado num cantinho do camarote Número 1, o médium João de Deus, conhecido por atender personalidades e anônimos em Abadiânia (GO), assistia aos desfiles na segunda (27). "Deus está aqui", repetia. "É uma energia linda, de festa, de espírito de colaboração. E que me alimenta também."
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Ele, que atendeu Lula durante o câncer do ex-presidente e esteve no hospital enquanto Marisa Letícia estava internada, dizia ter na memória a imagem do petista "muito triste" com a morte dela.
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Diante da observação de que Lula vive dias difíceis, com as investigações da Operação Lava Jato e a perda da mulher, foi breve: "Deus escreve certo por linhas tortas". E voltou a olhar o sambódromo. "A gente passa por tempos complicados, mas olha isto aqui. Mostra que o Brasil tem muito amor para dar."
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Logo ao lado, Beth Carvalho estava concentrada na avenida. "Tem nada que ter música. Tem que ter samba. E ponto final", dizia, com a voz abafada pelas batidas eletrônicas tocadas no camarote. "São chatas... Mas na hora da avenida eles param. A avenida é soberana."
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A sambista, que usa uma cadeira elétrica para se mover e, sentada, desfilou na Mangueira, dava um pito no prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). "Ele não veio nem abrir o Carnaval. Eu votei na Jandira [Feghali, do PCdoB]. Não espero muita coisa dele não. [João Doria, em São Paulo] é pior ainda. Faço parte do bloco fora, Temer. Para mim, só Lula lá."
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Glória Pires, no camarote Rio, Samba e Carnaval, esperava pelo desfile de sua escola, a Portela. Neste ano, ela não desfilou -na próxima semana já começa a gravar na TV Globo, e preferiu se poupar.
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A atriz voltou a virar hit na internet na noite do Oscar, no domingo (26). Espectadores lembravam dos comentários que ela fez no ano passado, na Globo, sobre a cerimônia. "Eu não vi. Foi muito tarde", dizia Glória, que preferiu dormir neste ano durante a premiação.
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"O que acontece é que na internet ninguém tem paciência de entender o que está acontecendo. As pessoas leem e já passam adiante. E aí vêm os oportunistas", dizia.
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A ex-jogadora de basquete Hortência reclamava da falta de manutenção dos estádios e ginásios construídos no Rio de Janeiro durante a Olimpíada. "Não tá legal, né? São áreas que a gente precisa para desenvolver o esporte. Gastou-se uma grana e foi dinheiro jogado fora, porque agora esse legado não tá sendo aproveitado", dizia ela.
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Marcelo Freixo era abraçado pelos atores Humberto Carrão e João Vicente de Castro ao entrar no Folia Tropical, um dos espaços VIPs da noite. O deputado estadual pelo PSOL dizia não se encaixar em nenhuma categoria dos políticos ausentes na Sapucaí -nem a dos que temem vaias nem a dos que estão na mira da Lava Jato.
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"Comigo não tem uma coisa nem outra. Não vinha antes porque ou era camarote de governo ou de cervejaria, e eu não queria nenhum dos dois." Freixo foi para blocos de rua, como o Boi Tolo. Mas de máscara. "Senão é muita foto", explicava, simulando com as mãos uma selfie.

Candidato a prefeito do Rio no ano passado, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB) foi um dos poucos políticos a botarem o pé na Sapucaí. Abraçado à atual companheira, Tatiana Infante, ele -que passou a campanha eleitoral respondendo ao fato de ter agredido a ex-mulher —falou à coluna enquanto saía de um camarote.
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Muitos políticos sumiram da Sapucaí.

Inclusive o prefeito, né? Ele [Crivella] tinha que vir aqui. Carnaval é muito mais que religião. É a maior expressão cultural nossa. É como se você convidasse alguém para uma festa e não aparecesse.

Os políticos estão com medo de vaias?

Os políticos estão mais comedidos, né? Em geral a vaia se concentra no prefeito, no governador. Para deputados, políticos de menos expressão, não tem tanto. A vida está um pouco mais chata, né? Com essa coisa de exposição, de você estar num camarote, de quem, convidado por quem. Tem um patrulhamento.

Como avalia Crivella?

Os governos quando começam têm a grande chance de surpreender positivamente. Por exemplo, o [João] Doria está fazendo muito. O Crivella não se preparou. Está muito perdido ainda.

O que o sr. teria feito diferente?

Primeira coisa é trabalhar mais. Ele está trabalhando pouco.
O que acha do veto às marchinhas politicamente incorretas?
Eu acho uma besteira. Isso é parte da cultura. Mas é claro que você tem uma evolução nossa como sociedade.

Algumas letras são consideradas machistas.

É, mas tem toda uma história do samba que se você trouxer para o tempo presente você não vai cantar mais nenhum desses sambas. Tem que analisar pelo contexto histórico da época, senão você mata culturalmente linguagens como o samba.

O que o sr. acha do politicamente correto?

Eu acho que tá um saco. Eu acho que tá muito chato, muito chato. Essa pós-verdade que a gente está vivendo...

E o movimento do "não é não", que as mulheres criaram contra o assédio?

Eu acho que está demais. A gente tá vivendo uma hipocrisia coletiva. O Carnaval de tempos em tempos tem determinados costumes. Já houve essa questão do "não é não", do beijo. Como o Carnaval tem uma pegada também muito sensual, então essas coisas em geral acontecem. No Carnaval as pessoas decidem o que elas quiserem.

com JOELMIR TAVARES, LETÍCIA MORI e BRUNO FÁVERO; colaborou RAQUEL CUNHA

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