Alamanaqueiras: ou não queiras.

Alamanaqueiras: ou não queiras.

Playlist Almanaqueiras

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

a nada mole vida do(a)s médico(a)s

As histórias que fazem nossos médicos de família rirem
No dia do médico, preparamos uma lista que vai desde transplantes de corpo inteiro a emergências (literalmente) de encanador.

Pablo Cantó - El País

20 MANEIRAS DE AMARGAR O DIA DE UM MÉDICO

VERSÃO PUBLICADA EM MEDICINAJOVEN.COM
Fabiani conclui o livro com outro clássico da Internet: os conselhos para tirar do sério um médico de família. Este texto é um meme que circula em diferentes versões e que Fabiani reelaborou em uma lista de 20 destaques. Nós deixamos aqui outra das versões mais compartilhadas, a de 23 conselhos.
1. Quando chegar para a consulta, abra a porta, sem ser chamado, e pergunte se o seu nome está anotado na lista.
2. No caso de o médico ter a sorte de ter a lista em mãos e a paciência de procurar o seu nome, pergunte por que ainda não o chamaram, apesar de ter chegado meia hora adiantado.
3. Toda vez que a porta se abrir para que um paciente entre ou saia, enfie a cabeça com cara de “ainda não é a minha vez?”.
4. Na sala de espera critique a Previdência Social e os médicos em voz alta e clara para que escutem lá dentro.
5. É um golpe cortante dizer que você paga diretamente os salários de todos os que estão ali. Não mencione, sobretudo, que o médico também paga impostos e a Previdência Social.
6. É também muito eficaz dizer que o médico anterior, já aposentado, era muito melhor que o atual. E, além disso, prescrevia tudo o que você queria.
7. Se você vai à consulta do pediatra, leve a avó da criança. Se a sua intenção não é só atazanar, mas se você expressamente o odeia, leve as duas avós.
8. Quando entrar na consulta e lhe perguntarem o que se passa, diga isto: Não sei, o senhor é o médico”.
9. Nunca vá direto ao assunto: comece desde que notou o primeiro sintoma, 15 anos antes, embora nada tenha a ver com sua atual doença.
10. Se lhe perguntam se toma algum remédio, diga que uns comprimidos brancos, redondos.
11. Deixe em cima da mesa um enorme maço de folhas com o que encontrou na Internet sobre os seus sintomas.
12. Quando for para a consulta de retorno, diga que o tratamento não fez absolutamente nenhum efeito, embora já tenha passado a febre, a tosse, a halitose, e você tenha arranjado uma namorada.
13. O estetoscópio do pediatra não está lá para auscultar, mas para que a criança arranque as orelhas dele, para o seu regozijo, e o das duas avós.
14. Quando o seu filho desconectar o cabo do computador, observe para o pediatra o quanto ele está esperto para a idade.
15. Insista em que a criança não come, embora vomite nos dois lados da maca e você carregue no carro quatro pacotes de docinhos.
16. Sua mãe e sua sogra sabem mais que o pediatra. E a criança sempre está precisando de vitaminas.
17. Quando vir que o médico está a ponto de se despedir, diga as palavrinhas mágicas: “E aproveitando, já que estou aqui...”
18. Quando o médico lhe prescrever um tratamento, pergunte: “E isto não fará mal?”.
19. Faça sempre cara feia quando lhe receitar um genérico. Todo mundo sabe que são piores que os medicamentos de marca.
20. Se lhe prescreve um medicamento de marca, mais caro, faça também cara feia. “Claro, como quem paga é o contribuinte...”


Todos os profissionais que trabalham com o público vivem inúmeros momentos curiosos: acontece com os garçons, os hoteleiros, os vendedores... E com os médicos. Especialmente os médicos de família. Fernando Fabiani é médico e também comediante, e aproveitou muitas dessas vivências e o Dia do Médico para criar um relato de como é o dia-a-dia numa clínica. Seu título é Vengo sin cita (Venho sem hora marcada, em tradução livre). "Tudo o que aparece no livro, as histórias, as vivências... é real”, conta Fabiani. “O que é ficção é a forma de contar. Por isso, o protagonista não sou eu, mas Teodoro, um personagem inventado, mais sarcástico do que eu sou".

Estas são algumas das histórias engraçadas que aconteceram em seus anos de médico e podem ser encontradas nas páginas do livro.


Transplante total: "Faz tempo veio a uma consulta um casal idoso porque o marido estava exausto, tudo lhe doía. O homem me disse que se sentia tão mal que achava que ia precisar de um transplante da cintura para cima. A mulher, muito séria, me disse: “Gente, pode começar. Faça também da cintura para baixo”.

O jaleco não faz o médico, mas quase: "Ao terminar de atender às consultas no meu turno, tinha que fazer uma visita domiciliar a uma senhora idosa que, pelo que me contavam, estava cada vez pior: comia pouco, estava triste... Assim, peguei minha mochila e fui até a residência. Ali me recebeu uma mulher que me convidou a segui-la, e começou a me levar por uma parte da casa completamente em ruínas: com o chão levantado, umidade, escombros... Estava até pensando em avisar o serviço social, era normal que a idosa estivesse mal!

Finalmente me levaram a um quarto quase sem iluminação no qual não havia ninguém, só mais escombros. Olhei para a senhora de modo tão surpreso que, por fim, ela me perguntou: “O senhor é o encanador, não? Desde então, sempre que faço visitas domiciliares começo perguntando se chamaram o médico”.

A mãe escatológica: "Os pacientes pensam que, como vemos muitas coisas, não temos mais escrúpulos, mas há coisas que, de verdade, preferiríamos evitar. Aqui vai um exemplo: quando estava num turno de urgências, uma mãe chegou com o filho de quatro anos porque fazia vários dias que estava com diarreia. Disse-lhe que, por favor, o colocasse na maca e o descobrisse e, quando dei a volta para colocar as luvas, senti um cheiro desagradável. A mãe havia trazido um recipiente de plástico com uma amostra da diarreia do menino. Como se eu não fosse acreditar se ela não me mostrasse”.

Tratamento impossível: "Uma vez tive um paciente que, quando veio para o retorno e lhe perguntei como estava indo o tratamento, respondeu-me que bem, mas não o podia tomar o remédio todo. Perguntei por que, se eram só alguns saquinhos, e me respondeu que com o primeiro litro podia, mas o segundo litro era impossível. Eu lhe havia dito para tomar o conteúdo do saquinho dissolvido em dois deditos de água, e ele entendeu dois litros”.

Pensamentos no chuveiro: "Tão logo chegou para a consulta, a moça se sentou e a primeira coisa que falou foi: ‘Doutor, lembrei-me ontem do senhor, no chuveiro’. Fiquei sem palavras. Instalou-se um silêncio superdesconfortável. Quando ela se deu conta, complementou: “Porque fiquei enjoada e me lembrei dos conselhos que o senhor me deu para quando eu ficasse enjoada”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário