Almanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

trocando a noite pelo dia: "os que sobreviveram hoje fazem ioga e tomam suco verde."

“A noite ficou velha, cinza e desinteressante” 

Bruno Astuto - Época

Carmen d'Alessio em seus tempos de festa (Foto: Getty Images)
Carmen d'Alessio em seus tempos de festa (Foto: Getty Images)

Promoter da lendária boate nova-iorquina Studio 54 nos anos 70 e 80, onde recebia Mick Jagger, Liza Minelli e Andy Warhol, Carmen D’Alessio é uma lenda viva da noite americana. A peruana, que todos os anos passa férias no Rio, terá sua trajetória glamourosa contada em um documentário, Carmen-Life is a Celebration, dirigido pelo brasileiro Mauricio Branco. “Sou peruana de nascimento, americana de criação e carioca de coração”, afirma. Com idade guardada a sete chaves (“Sou eterna”), ela diz que a vida noturna não lhe interessa mais. “Faço uma festa no pôr-do-sol em Nova York, no clube PHD, que tem muito mais energia do que as madrugadas que passei em claro”. Ela esteve no Rio na semana passada para gravar as cenas finais do filme, gravado em Nova York e no Peru. “Sambei na praia de Copacabana, foi o máximo”.

Qual a festa mais inesquecível que você deu?

No aniversário de Bianca Jagger, em 1977, eu a convenci de entrar no Studio 54 em um cavalo branco. No ano seguinte, em uma festa que fiz para Giorgio Armani, trouxe de Mônaco um grupo de travestis. Não queria que a noite fosse careta, e foi um arraso.

A noite ainda é uma criança?

A noite ficou velha, cinza e desinteressante. O que vivi jamais vai se repetir. Hoje prefiro um jantar ou ir à praia a fazer uma noitada, mas ainda saio. Depois de 50 anos em Nova York, estou pensando seriamente em me mudar para Miami. Um amigo me propôs sociedade numa agência de imóveis. Tem mais a ver com o momento que estou vivendo agora. Eu quero é sol.

A droga acabou com a vida noturna?

Diziam que no Studio 54 era servida a melhor cocaína do mundo. Era uma época de experimentação, mas acabou. Os que sobreviveram hoje fazem ioga e tomam suco verde. As pessoas estão procurando a energia do sol, a iluminação espiritual, no que fazem muito bem.

Qual o segredo da sua vitalidade?

Há anos eu passo o Carnaval no Rio. Uma vez, furei o pé num caco de vidro no Sambódromo e, no dia seguinte, estava lá, enfaixada, desfilando com a comunidade. Meu lema é: o passado é história, o futuro é um mistério e o presente é uma dádiva. A única coisa que temos de fato é o agora.

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